Heróis da cidade
- Ela me respondia com a voz cada vez mais baixa e depois dormia de vez.
- Nossa, que insuportável.
- Ela dormia e eu continuava gritando, mas nada afetava o sono dela. Podia haver uma explosão de um carro-bomba ali perto que ela continuaria dormindo.
Os dois balançavam negativamente as cabeças.
- Que merda
- Eu falava toda noite das minhas necessidades, afinal sou um homem adulto. E sou casado. Mereço uma resposta da minha esposa.
- E o que ela respondia? (Antes de dormir)
- Resmungava que estava cansada e tudo o mais...Algumas vezes ainda reclamava que eu estava traindo ela.
- E você estava?
- Sim.
- Porra, acho que eu faria isso também com uma esposa dessas...
- Estava cansada do quê? Cuidar dos filhos? Ela que queria isso na época que ainda abria as pernas.
- Filha da puta.
Os dois beberam um pouco de uísque.
- Mas ontem eu finalmente dei um fim a tudo isso. Chega de ser esculhambado pela própria mulher, porra.
- O que você fez?
- Peguei a minha .38 do armário e fiz dois buracos nela. Um perto do coração e outro no pescoço. Você devia ver. A cama era só sangue.
- Porra, já falei que você é meu herói?
Os dois sorriram. Lá fora do bar alguém tinha sido assassinado. Formava-se um amantoado de pessoas ao redor do morto.


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