13 maio 2007

Heróis da cidade

- Ela me respondia com a voz cada vez mais baixa e depois dormia de vez.

- Nossa, que insuportável.

- Ela dormia e eu continuava gritando, mas nada afetava o sono dela. Podia haver uma explosão de um carro-bomba ali perto que ela continuaria dormindo.

Os dois balançavam negativamente as cabeças.

- Que merda

- Eu falava toda noite das minhas necessidades, afinal sou um homem adulto. E sou casado. Mereço uma resposta da minha esposa.

- E o que ela respondia? (Antes de dormir)

- Resmungava que estava cansada e tudo o mais...Algumas vezes ainda reclamava que eu estava traindo ela.

- E você estava?

- Sim.

- Porra, acho que eu faria isso também com uma esposa dessas...

- Estava cansada do quê? Cuidar dos filhos? Ela que queria isso na época que ainda abria as pernas.

- Filha da puta.

Os dois beberam um pouco de uísque.

- Mas ontem eu finalmente dei um fim a tudo isso. Chega de ser esculhambado pela própria mulher, porra.

- O que você fez?

- Peguei a minha .38 do armário e fiz dois buracos nela. Um perto do coração e outro no pescoço. Você devia ver. A cama era só sangue.

- Porra, já falei que você é meu herói?

Os dois sorriram. Lá fora do bar alguém tinha sido assassinado. Formava-se um amantoado de pessoas ao redor do morto.

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