11 março 2006

Mamãe e filho

- Filho, to muito orgulhosa de você. Agora com esse emprego e com esse salário bom, você tá bancando toda a família.
- Que isso mãe...eu só aproveitei uma boa chance que veio pra mim.
- Isso é verdade, mas mesmo assim você é muito bom no que faz. Vai sair hoje?
- Vou. Tem trabalho em Ipanema. E você ?
- Também, arranjei um bom cliente lá na Tijuca. Se você voltar muito tarde tem comida na geladeira, pronta pra esquentar.
- Pô mãe, você é um amor...
- Você também, filho.
- Você viu aquela mala que eu trouxe da última vez?
- Tá lá na cozinha. Tá muito pesada...pra que isso tudo?
- Só pra garantir...mesmo assim só tem duas metralhadoras e 3 pistolas. A polícia tá enchendo o saco.
- Esses homens não deixam ninguém trabalhar...
- Bom, já to indo. Hoje é só desmanche, acho que não vou demorar muito.
- Vai com Deus.
- Você também, mãe. E não esqueçe da camisinha, hein.
- Vou levar. Arranjar filho de cliente é uma merda.

05 março 2006

O Retorno da Ovelha Desgarrada

Sim, estou de volta, afinal, como sempre digo, não obedeço a nenhuma lei da lógica.
Tempos conturbados esses em que fiquei sem escrever aqui. Conturbados nem tanto no mundo, ao menos para mim, uma vez que (não, não me orgulho disso) não tenho acompanhado com muita atenção os fatos noticiados na televisão (com excessão do carnaval, se bem que não vi os desfiles das G.R.E.S. com o mesmo entusiasmo de antigamente, entretanto sei quem foi a campeã). Bem, conturbados, verdadeiramente, em parte porque pensava em voltar a escrever aqui (confesso que me fazia falta), e em outra parte por, cada vez mais, pensar o que será de mim daqui a alguns anos, décadas...

Deixando isso pra lá, o motivo derradeiro que me fez voltar a escrever foi uma frase que ouvi num programa de TV. Ei-la: "Escrevo sobre o que não entendo, tentando entender." Essa frase foi dita pela escritora Lya Luft, nunca li nenhum livro dela, apesar de já conhecê-la de nome, porém a frase coube como uma luva para eu tomar essa decisão (importantíssima, diga-se de passagem. (hehehe)).

Bem, é isso. Pensei em uma porrada de coisa pra postar, mas, como já vi em outros blogs, não me lembro de nada, esqueci tudo.

Ah, uma última coisa: SALVE OS MAMONAS ASSASSINAS!!!!!!!!!!

04 março 2006

Família Ramsés

Antes de eu chegar ao Ramsés tive uma longa jornada pessoal. Nasci em Brás de Pina, um lugar que não me dá tanto orgulho assim de ter nascido. Morei por vários anos numa pequena vila que ninguém percebe que existe quando passa ao lado dela no meio da Filomena Nunes. Junto com a minha vó, que ficava na casa ao lado. Resumindo, era uma vila com duas casas, por mais estranho que pareça. Bem perto do prédio onde ficam todos os meus tios e tias, vivi bons tempos ali, com uma infância relativamente feliz para um garoto de subúrbio.

Depois fui morar num apê que no passado fora do meu avô , na Vila da Penha. Rua deserta, nenhum amigo, poucos vizinhos, nada de empolgante por lá. Excluindo a escola e os cursos, foram anos praticamente perdidos da minha vida naquele buraco. Voltei para Olaria. Morar numa casa duplex. Filomena Nunes, novamente. Lugar bom, amplo, quintal com 13 gatos, amigo morando ao lado. Mas bastou um erro médico provocar a morte da minha vó pra casa virar um símbolo de recordações funestas pra minha mãe. E fui de mala e cuia pro Ramsés, finalmente.

Entrei como estranho no ninho nesse lugar de apartamentos pequenos e porteiros alegres. Com playground que eu não dava bola no início, mas que no futuro seria o nosso verdadeiro templo. Vieram as amizades com o tempo e que se mantêm até hoje. Veio a paixão pelo Rock, pela música. Começei a gostar dos livros, etc. As vezes acho que o tempo passou muito rápido por aqui, parece que não cheguei há tanto tempo assim. Ainda tem muitas coisas pra falar desse prédio com nome estranho: As figuras amrcantes (Moisés, Maciel, etc.), os fatos marcantes e tudo mais que for marcante.

Acho que no fim o que vale mesmo é a amizade...vou parar por aqui porque já to com lágrimas nos olhos.