29 dezembro 2006

23 dezembro 2006

Palavras que não são minhas 4

Se Lula é o povo e o povo é Lula, é bom saber como pensa o povo. Alguns dias atrás, o Ibope divulgou que 71% dos brasileiros aprovavam Lula. Os lulistas comemoraram o resultado. Em dezembro de 1998, 58% dos brasileiros aprovavam Fernando Henrique Cardoso. O povo aprova o presidente. Quem quer que ele seja.

Outra pesquisa do Ibope indicou que 75% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos, demonstrando incapacidade para compreender um enunciado simples. Na pesquisa anterior, o porcentual era ligeiramente maior: 76%. A escrita foi introduzida no Brasil há mais de 500 anos. Logo conseguiremos dominá-la.

Ao mesmo tempo em que 75% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos, 84% declararam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a qualidade do ensino público. 75% dos pais e alunos pediram apenas uma mudança no currículo escolar: o ensinamento do criacionismo no lugar do darwinismo.

O Ibope mostrou também que 96% dos brasileiros desconheciam o significado do termo holocausto. 37% declararam repudiar a idéia de ter um vizinho judeu. O número só foi inferior aos que disseram repudiar a idéia de ter um vizinho cigano – 51%.

Indagados sobre o meio de transporte mais seguro, 51% dos brasileiros escolheram o ônibus. Segundo uma pesquisa do SOS Estradas, os acidentes com ônibus matam cerca de 2.400 pessoas por ano no Brasil.

82% dos eleitores manifestaram seu descontentamento com a democracia. A maior parte deles se encontrava no Nordeste, nas camadas de menor escolaridade e renda.

De acordo com os dados do Ibope, 83% dos brasileiros se consideraram satisfeitos ou muito satisfeitos com a vida. O número é duas vezes maior do que o total de pessoas atendidas pela rede de esgoto – 40%. Há felicidade sem esgoto.

Uma pesquisa realizada entre os leitores de Época elegeu Chico Xavier como o maior brasileiro de todos os tempos.

Pela primeira vez em catorze anos, aumentou o trabalho infantil no Brasil. Segundo a mais recente pesquisa do Pnad, o total de crianças empregadas passou de 7,33% em 2004 para 7,8% em 2005. Ignora-se se elas estavam entre os 89% de brasileiros otimistas ou muito otimistas quanto a 2007.

Lula é o povo. O povo é Lula. Os lulistas recomendam que a imprensa siga o povo. Seguindo o povo, ela seguirá Lula. O lulista Bernardo Kucinski argumentou: "Os colunistas se engajaram ativamente na campanha contra Lula. Isso é um fato. Lula foi eleito por ampla maioria. É outro fato. E os dois fatos apontam para um descolamento dos colunistas em relação ao sentimento da maioria da população".

Nestes tempos de lulismo, estou cada dia mais incapaz de entender um enunciado simples.

Diogo Mainardi

22 dezembro 2006

Tendências leopoldinenses

É tudo cinza aqui. Nos dá a sensação que não encontraremos nada realmente bonito se procurarmos. As calçadas esburacadas guiam tabalhadores até suas casas. Tudo é banhado de cimento. Desafiando alguns prédios, pequenas casas se enfileiram ao longo das ruas. São tão simples que parecem ter o unico objetivo de continuar existindo caladas durante muito tempo.

O povo daqui é amigável, hospitaleiro. Durante o fim da tarde e até no meio da madrugada, Mesas surgem nas calçadas. Uma churasqueira quase que no meio da rua, assando carne barata para um monte de gente tomando cerveja. Alguns velhos se reunem para um jogo de buraco, ignorando a mesa da praça. O ambiente é melhor ali, perto dos vizinhos e longe de confusão. Algumas mulheres vem para o portão só para olhar sabe-se o que. Talvez seja pra passar o tempo de uma vida medíocre. No verão, crianças enchem as ruas junto com pipas. Tem uma casa lá na esquina onde todo mundo compra...A padaria do seu josé também tem clientela grande. Á tarde tem pão da melhor qualidade pra todo mundo. No lanche, o pão do seu josé com manteiga e um pouco de café.

À noite, quase nenhum movimento nos arredores. Só se ouve o vento ou alguém passando voando com um chevette velho cuspindo sujeira pelo escapamento. Quando amanhece, a maioria vai trabalhar. Quem fica tem que aguentar os programas de fofoca na TV. Aqui até a violência parece não existir em alguns momentos. Não existe cidade grande, arranha-céu.
Apenas se espera serenamente pelo resto da vida.

21 dezembro 2006

Vou fazer uma canção sobre fracasso para contar a história de minha vida
Li uma vez num livro de capa já amarelada pelo tempo
que se deve importar com o que é importante e rir do resto
Não havia nenhuma receita de bolo
Ser o melhor dentre todos, isso é o que importa
E eu rio
O quê?!
O que fazer quando se olha para os lados e só há o branco?
Vomito em meus pés e a pressão passa, por enquanto



Listen and Practice
PJ Harvey - Dry (muito bom!)


P.S. Por favor, não zombem desse texto pobre

19 dezembro 2006

A solidão nos espera

É muito simples. Você recebe aquele pedaço de papel, cheio de notas e disciplinas. Situação: Aprovado, boas férias! Pronto, você está livre da escola. A perseguição acabou. Adeus prisão. Quando foi a primeira vez? éramos pequenos, brincando de pique cheios de inocência no primeiro dia de aula. Acabou aqui, com esse pedaço de papel. Me abandonaram e me jogaram na calçada, ja veio o mundo me estrupando.

Vieram os domingos de vestibulares. Ve se tu passa em muleque, pra arrumar as trouxas e arrumar a própria casa. Pode deixar pai, to estudando muito...E aí como que tava? Difícil pra caralho. Olha a boca garoto. Ano que vem vai fazer todos os concursos, ta ouvindo? Enquanto isso tudo, as férias. As mais sonhadas, as quase eternas. Não temos mais nenhum "retorno às aulas". Região dos Lagos? Pode ser, claro. Viajar sozinho? Só com 18 e ainda vou pensar no assunto.

Que tédio, nada pra fazer. Cacete, que calor nessa cidade maldita. Ano que vem não tem férias. Acabou uniforme. A nostalgia se esmigalhou na nossa mente. Vamos ficar praticamente sozinhos, com os nossos preconceitos e segredos.

13 dezembro 2006

Palavras que não são minhas 3 (the end)

chutou e é gol
gooooooooooooooooooooool


brasil tãm tãm tãm
brasil tam tam tam
brasil tam tam tam
rede globo tam tam tam
rede globo tam tam tam
rede globo tam tam tam
ronaldinho tam tam tam
ronaldinho tam tam tam
nike tam tam tam
nike tam tam tam
televisão tam tam tam
televisão tam tam tam
H5N1 TAM TAM TAM
H5N1 TAM TAM TAM
H5N1 TAM TAM TAM
H5N1 TAM TAM TAM
H5N1 TAM TAM TAM
H5N1 TAM TAM TAM
corupção tam tam tam
corupção tam tam tam
corupção tam tam tam
brasil tam tam tam
brasil tam tam tam
imposto tam tam tam
imposto tam tam tam
imposto tam tam tam
celular tam tam tam
celular tam tam tam
divida externa tam tam
divida externa tam tam
trabalho gratis tam tam
trabalho gratis tam tam
trabalho gratis tam tam
coca cola tam tam tam
coca cola tam tam tam
coca cola tam tam tam
brasil tam tam tam
brazil tam tam tam
bra$il tam tam tam
amazonia tam tam tam
amazonia tam tam tam
amazonia tam tam tam
petroleo tam tam tam
petroleo tam tam tam
petroleo tam tam tam
mc donalds tam tam tam
mc donalds tam tam tam
milionarios tam tam tam
milionarios tam tam tam
milionarios tam tam tam
eleição tam tam tam
eleição tam tam tam
eleição tam tam tam
febem tam tam tam
febem tam tam tam
sistema tam tam tam
cpi tam tam tam
cpi tam tam tam
rota na rua tam tam tam
rota na rua tam tam tam
manipulação tam tam tam
manipulação tam tam tam
futibol tam tam tam
futibol tam tam tam

Autor desconhecido

09 dezembro 2006

Palavras que não são minhas 2

"Não consigo entender você. Quer dizer que você e os elfos deixaram-no viver depois de todas as coisas horríveis que fez? Agora, de qualquer modo, ele é tão mau quanto um orc, e um inimigo. Merece a morte."


"Merece! Ouso dizer que sim. Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem viver. Você pode dar-lhes a vida? Então não seja tão ávido para julgar e condenar alguém à morte."


Frodo e Gandalf, A sociedade do Anel.

05 dezembro 2006

Palavras que não são minhas 1

John Lennon, compositor, cantor, músico, o "pai" dos Beatles, foi assassinado à uma hora da manhã (hora de Brasília) de ontem, por um vagabundo, Mark David Chapman, que disparou nele seis tiros de um revólver 38, acertando cinco. O crime aconteceu no saguão de um dos prédios mais famosos de Nova York, a oeste do Central Park, o Dakota. Chapman esperou por ele horas no saguão, sem ser incomodado pelos agentes de segurança do prédio. Lennon tinha 40 anos, Chapman, de Atlanta, Georgia, tem 25.

A polícia, chamada ao local, apreendeu facilmente Chapman, que largou o revólver depois de esvaziá-lo, sorrindo, certo (e está certíssimo) que do anonimato se tornará, como Lennon, uma celebridade. Esse o motivo aparente do crime. O canibalismo de celebridades é rotina neste país (e no Brasil e todo o mundo ocidental), graças a um sistema de comunicações que evita assuntos sérios, mas que fornece um "circo" permanente, obsessivo, avassalador, sobre a vida dos bem sucedidos e ricos, excitando sentimentos contraditórios, de adoração bocó dos fãs à frustação homicida, que ás vezes se manifesta "a la Chapman".

A nova celebridade, Chapman, está presa. O provável é que passará o resto da vida num manicômio judiciário, vendendo direitos de lhe filmarem a vida, "escrevendo" memórias, vendendo entrevistas etc. Neste país, tudo é faturável.

O canibalismo continua depois da morte. Fãs histéricos cercam o Dakota, cantando músicas dos Beatles. Todo mundo está faturando, de estações de rádio à TV, que tocam incessantemente as músicas dos Beatles e continuam o canibalismo do cadáver. É a sociedade de consumo, em seu aspecto mais grotesco.

A morte de John Lennon é o fim de uma época, talvez a última que conheçamos uma geração de jovens talentosos, como os Beatles, que tentou humanizar o nosso mundo de poderes impiedosos, impessoais e letais.

Com Lennon se foi, não só uma era, nos parece, mas um anseio de simplicidade que se tornaram aparentemente impossíveis ao mesmo tempo.

Paulo Francis