26 dezembro 2005

Jesus Cristo - O primeiro grande punk

Mais um dia de Natal e os assuntos sobre o cabeludo que queria salvar o mundo (pareço um pouco com ele?) se multiplicam, principalmente na TV, com documentários e filmes a respeito. Afinal, tudo que está escrito naquele livro gigante que várias pessoas já leram é verdade ou é pura lorota? Acho que essa é uma discussão quase infinita e que fica mais entediante com o passar do tempo. O grande problema dos católicos é que não se pode provar nada do que está escrito na Bíblia, utilixando a ciência e a razão. Por isso grande parte dos católicos afirma que o mais importante é a fé no ideal cristão. Mas eu acho que para você estabeleçer uma crença num determinado assunto, você deve concordar com um certo nível de veracidade daquilo. Bom, apesar de cada um expor suas opiniões sobre o caso, dificilmente alguém muda de lado. Por isso prefiro não ficar falando muito sobre isso.

Mas e quanto a Jesus? O cara que andava com a mesma roupa pra lá e pra cá, não se preocupando com dinheiro ou poder é figura dificil de ser vista atualmente. Sem nenhuma arma ou voz grossa ele conseguiu bastantes aliados em busca do seu ideal: um mundo sem desigualdades e com muita paz. Pra mim não importa se ele existiu realmente ou não, o que importa é que ele se rebelou contra o sistema da época, buscando todas as coisas boas que os seres humanos realmente mereçem em todas as sociedades do mundo. Se ele for pura lenda, que sirva se exemplo para todos nós, mesmo de religiões e raças diferentes.

17 dezembro 2005

Isomeria americana

Há tempos recebemos pilhas e pilhas de filmes americanos que são reprisados incansavelmente pela TV brasileira. Podem ser recentes sucessos de bilheteria ou escolhidos ao acaso sem nenhuma prova de qualidade. Mas acho que todos já perceberam que a maioria deles não são grande coisa e têm características comuns entre eles mesmos. Por isso critico quase sempre a idéia de se repetir que o melhor cinema é o americano. Não critico a afirmação propriamente dita, mas se compararmos o pequeno número de filmes bons e criativos em relação à toda produção cinematográfica americana, vamos ver que não há necessidade de ficar glorificando-os toda hora.

Essas características comuns que falei podem ser facilmente vistas:
- Garotos vestindo um casaco(com uma letra bem grande) de um time de futebo americano
- Um baile( onde o idiota do filme consegue ficar com a gostosa apesar de tudo)
- Ruas arborizadas, casas grandes com jardins impecáveis, clima feliz entre as famílias [(false)american dream]
- Escolas com os sinais de troca de aula idênticos, cujo diretor é detestado pelos alunos
- O grupinho dos meninos fracos (mas bem unidos) e outro dos mais fortes que só fazem zoar os fracos
- Um beijo no final do filme entre o mocinho e a garota mais bonita
- Grandes explosões
- Milhões de tiros disparados , nenhum atinge o herói
- Poucos tiros disparados, quase todos atingem os bandidos
- A maioria desses filmes já passou na Sessão da Tarde ou no Cinema em Casa

Por isso que eu acho que devemos dar mais valor a um Tim Burton e um Tarantino da vida, que insistem na criatividade dos seus filmes.

13 dezembro 2005

Feliz Natal velho

Chegou a época natalina. Toda a sociedade fica envolvida pelo espírito natalino, queira ou não. Enfeites nas janelas, comerciais na TV com a presença do famoso Santa Claus, árvores de natal nos shoppings e tantas outras coisas. Devemos concordar que todo ano é praticamente a mesma coisa...Todos fazendo um jantar farto(ou não) na casa de um parente, distribuindo maquinalmente "feliz natal" na chegada ou "porque foi se incomodar, não precisava" ao receber um presente, provavelmente de um amigo oculto, feito todos anos. Além das musiquinhas que não saem da sua cabeça depois da ceia, sendo repetidas sem nenhuma dó.

Quero apenas mostrar a face chata do Natal que muitas vezes é ignorada por todos. Além do fato de que o pricipal do Natal é a comemoração do nascimento de Cristo e não a distribuição de presentes ou um jantar super produzido. Mas eu acho que isso provém do instinto humano, que é maior do que tudo.

Nem tudo são flores do mal, eu sei...Sei que aumentam a alegria e a paz, mas não em todos os lugares, não em regiões de extrema pobreza no Nordeste ou nas ruas cheias de mendigos e meninos jogando bolinha pro alto.

Crônica de terça

O que dizer de uma terça-feira cinza, com imensa pretensão de chuva e nenhuma para coisas incomuns? Eu teria quase certeza de que ia ser um dia normal também. Mas basta um simples passeio para tudo mudar. Um telefonema e tá tudo certo. Pego a mochila velha de sempre, um pouco de dinheiro e vontade, só. Vou pela viação canela até a estação de trem e me encontro com um ser estranho de pinta na cara e com uma camisa do Pink Floyd: meu colega, compartilhador de minha tristezas, idéias, nostalgias e futuro integrante da minha futura banda que já teve no passado vários nomes malucos.

Conversas para distrair um pouco os passos e quando vejo já estamos em frente à loja de música de Ramos. Uma olhada pra sonhar um pouco em ter guitarras e baterias caras, fazer sucesso mundial com a nossa banda, ter dinheiro pra cacete, acordar num motel cheio de put...Praça das nações!! hospital de bonsucesso!! E voltamos à realidade com os gritos da Kombi. Mais alguns metros pelas calçadas esburacadas do subúrbio e já estamos no centro de Bonsucesso. Viramos à direita uma certa hora e encontramos o velho hippie vendendo seus LP´s , CD´s e MP3 como sempre. Damos uma olhada nos clássicos e ficamos com mais certeza de que o Rock é bem mais interessante do que outros sons pelo conteúdo inacabável e intrigante.

Passamos pelas casas casas de alguns amigos pra tentar arranjar um copo d´água ou simplesmente entrar na casa da vítima. Já nos finalmentes do passeio, vamos até a locadora que o meu colega tanto falou, cujo dono gostava de bandas antigas e coisa e tal...Enfim chegamos ao bendito lugar: Um cubículo sem luz, com DVD´s jogados no chão, um calor infernal e um homem atrás do balcão com cara de americano, com olhos vivos. Começa a conversa dele com o meu colega...ah, você não vem aqui há muito tempo...não sei o que...tem filme novo...Aí começa conversa sobre o DVD do the Wall, dos outros shows...e o cara começa a se empolgar e a falar de um monte de banda, de artistas, etc. Com certeza ele já devia ter tomado umas de manhã ou tomado êxtase há algumas horas atrás. O bichinho parecia estar numa rave.

E foi ficando mais engraçado a cada minuto. O sujeito argumentava cada vez mais, ficava andando pela locadora, quase gritando na nossa cara. Então de repente começou a contar a história do show do Pearl Jam. Contou que viu o show pelas câmeras de segurança que o amigo hacker conseguiu acessar pelo computador. Poderiam ver até a câmera do camarim, etc. Porém, a coisa mais engraçada que ele contou foram as duas barras que apareciam no visor do computador durante o show. Uma era azul, e ficava estável quase o tempo todo. Outra vermelha determinava a possibilidade do amigo dele ser pego pela polícia.Se a barra vermelha ficasse cheia, era porque já dava pra ouvir a sirene tocando perto da casa onde eles estavam. Ela não encheu completamente, mas quase enchia algumas vezes, fazendo o bendito suar frio asssitindo ao show.

Situações que fazem a vida ficar mais interessante e divertida. Afinal, os jovens precisam mesmo se divertir, e não passar no vestibular.

"Eu não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só quero saber de educação sexual"

06 dezembro 2005

Pearl Jam!

O que dizer de um dia como o de domingo? Acho que nada. É preciso, antes de qualquer coisa, ouvir e sentir o que aconteceu na Praça da Apoteose no dia 4 de dezembro de 2005. É um fato que com certeza nunca esquecerei, a menos que seja superado pelo próximo show que essa fantástica banda fará, segundo o próprio Vedder, daqui a 3 anos, já que ele disse que quando nos encontrarmos de novo o senhor Bush não estará mais na Casa Branca. E ainda assim, mesmo que o próximo seja melhor do que foi este, ainda me recordarei deste como o primeiro show a que assisti.

Bem, muito pretensiosamente tentarei transmitir um pouco do que meus olhos viram, meus ouvidos escutaram e meu corpo todo sentiu. Mas antes, queria pedir aos que foram ao show que corrijam e acrescentem o que for necessário.

Com um começo que me assustou um pouco, o Mudhoney começou este dia memorável. Digo que me assustou porque eles entraram com uma cara de quem não estava muito a fim de tocar, talvez pela recepção um tanto quanto hostil que os espectadores de São Paulo dispensaram à banda nos dois dias anteriores. Mas logo mostramos a eles que não seriam recebidos de tal forma aqui no Rio. E foi então que, ao mesmo tempo que eu assistia ao maior múmero de pessoas jamais visto por mim pulando, Mark Arm começou a sorrir e a banda toda começou a se soltar e a mostrar do que eles eram verdadeiramente capazes de fazer sobre o palco. O vocalista mostrou toda sua satisfação em ver a receptividade do público agradecendo ao final de todas as músicas.

Para falar a verdade, eu não esperava menos do que isso, por dois motivos: 1º- os cariocas, de maneira geral, são mundialmente famosos por sua simpatia e pelo fato de saber receber estrangeiros.2º- uma banda como o Mudhoney, que tem músicas como Hate the Police, Mudride, Touch me I'm sick, Keep it outta my face, entre outras que foram executadas no show (e que eu, infelizmente, antes não conhecia e não sei seus nomes), não deveria ter um tratamento por parte do público diferente do que foi dado por aqueles que lotaram a Praça da Apoteose.

Após o término do show do Mudhoney, que durou cerca de 40 minutos, demorou outros 40 para que a grande atração da noite, aguardada há muito por mim, meus amigos e todos os presentes, subisse ao palco. Após tanto esperar, o apagar das luzes, as primeiras batidas de Matt Cameron, primeiras notas de Boom Gaspar, Mike McCready, Stone Gossard e Jeff Ament e, claro, primeiras palavras cantadas por Eddie Vedder decretaram que o sonho finalmente se transmutava na mais emocionante realidade.

As mesmas pessoas que me impressionaram ao pular tanto no show do Mudhoney me deixaram ainda mais abismado ao pular infinitamente mais assim que começou Last Exit. Não consigo descrever o momento, talvez seja impossível fazê-lo, mas foi algo extraordinário. Logo em seguida, com Do The Evolution, a catarse já havia tomado conta de todos, dali para frente foram poucos os momentos, se é que eles existiram, em que não houve manifestação alguma da nossa parte.

Mike McCready e Eddie Vedder deram um show à parte. McCready com sua performance impecável de belos solos e com algumas firulas, como tocar com a guitarra atrás da cabeça, encantou a todos. Vedder, que devia estar completamente bêbado já que não se separava da garrafa de vinho, arrancou aplausos até mesmo quando se enrolava ao tentar falar o nosso idioma e quando errou no início de Soon Forget.

Todos os integrantes da banda estavam visivelmente entusiasmados por tocar para uma platéia que não parou um só momento enquanto havia músicas sendo tocadas. A maioria das quais foi cantada em uníssono pelos fãs, sendo que o Ed deixou-nos cantar boa parte de algumas sozinhos ao direcionar o microfone para a frente como se dissesse "isso! quero ouvir vocês cantarem", e nós, é claro, não o decepcionamos. E ainda houve os coros puxados por ele a que todos seguiam. Nunca mais me esquecerei do "Ô Ôôô Ôôô...", muito menos do "Hey! Ho! Rio!"

Músicas que eu sonhei um dia ouvir ao vivo, com o Pearl Jam tocando-as a poucos metros de mim, estavam finalmente sendo tocadas naquela noite: Do the evolution, Daughter, Even flow, Alive, Dissident, Not for you, Save you, Jeremy, Animal, I believe in miracles, Betterman, Elderly woman Behind a Counter in Small Town, Corduroy, Once, Given to fly, Go, Yellow Ledbetter, Last Kiss, Black; e outras, que, confesso, não sonhava em ouvir ao vivo, mas que também gosto bastante, e, ainda, outras que conheço há pouco tempo ou não conhecia, são elas: Blood, Last exit, Insignificance, Baba O'Riley, Leatherman, Don't gimme no lip, Kick out the jams, Soon forget.

Uma síntese do quão emocionante foi o show acho que está no momento em que Gossard tocou os primeiros acordes de Black, a partir de então a emoção tomou conta de todos. A música foi cantada por todos durante todo o tempo, e acredito que muitos não conseguiram conter as lágrimas, deixando extravazar toda a emoção do momento. Foi durante Black, também, que Vedder demonstrou o quanto ele próprio estava emocionado. Foi durante o solo de MacCready, Ed sentou-se por alguns momentos sobre um amplificador e ficou observando o público, foi incrível.

Bem, é isso. Espero não ter falado tanta besteira assim.

Peace.