06 dezembro 2005

Pearl Jam!

O que dizer de um dia como o de domingo? Acho que nada. É preciso, antes de qualquer coisa, ouvir e sentir o que aconteceu na Praça da Apoteose no dia 4 de dezembro de 2005. É um fato que com certeza nunca esquecerei, a menos que seja superado pelo próximo show que essa fantástica banda fará, segundo o próprio Vedder, daqui a 3 anos, já que ele disse que quando nos encontrarmos de novo o senhor Bush não estará mais na Casa Branca. E ainda assim, mesmo que o próximo seja melhor do que foi este, ainda me recordarei deste como o primeiro show a que assisti.

Bem, muito pretensiosamente tentarei transmitir um pouco do que meus olhos viram, meus ouvidos escutaram e meu corpo todo sentiu. Mas antes, queria pedir aos que foram ao show que corrijam e acrescentem o que for necessário.

Com um começo que me assustou um pouco, o Mudhoney começou este dia memorável. Digo que me assustou porque eles entraram com uma cara de quem não estava muito a fim de tocar, talvez pela recepção um tanto quanto hostil que os espectadores de São Paulo dispensaram à banda nos dois dias anteriores. Mas logo mostramos a eles que não seriam recebidos de tal forma aqui no Rio. E foi então que, ao mesmo tempo que eu assistia ao maior múmero de pessoas jamais visto por mim pulando, Mark Arm começou a sorrir e a banda toda começou a se soltar e a mostrar do que eles eram verdadeiramente capazes de fazer sobre o palco. O vocalista mostrou toda sua satisfação em ver a receptividade do público agradecendo ao final de todas as músicas.

Para falar a verdade, eu não esperava menos do que isso, por dois motivos: 1º- os cariocas, de maneira geral, são mundialmente famosos por sua simpatia e pelo fato de saber receber estrangeiros.2º- uma banda como o Mudhoney, que tem músicas como Hate the Police, Mudride, Touch me I'm sick, Keep it outta my face, entre outras que foram executadas no show (e que eu, infelizmente, antes não conhecia e não sei seus nomes), não deveria ter um tratamento por parte do público diferente do que foi dado por aqueles que lotaram a Praça da Apoteose.

Após o término do show do Mudhoney, que durou cerca de 40 minutos, demorou outros 40 para que a grande atração da noite, aguardada há muito por mim, meus amigos e todos os presentes, subisse ao palco. Após tanto esperar, o apagar das luzes, as primeiras batidas de Matt Cameron, primeiras notas de Boom Gaspar, Mike McCready, Stone Gossard e Jeff Ament e, claro, primeiras palavras cantadas por Eddie Vedder decretaram que o sonho finalmente se transmutava na mais emocionante realidade.

As mesmas pessoas que me impressionaram ao pular tanto no show do Mudhoney me deixaram ainda mais abismado ao pular infinitamente mais assim que começou Last Exit. Não consigo descrever o momento, talvez seja impossível fazê-lo, mas foi algo extraordinário. Logo em seguida, com Do The Evolution, a catarse já havia tomado conta de todos, dali para frente foram poucos os momentos, se é que eles existiram, em que não houve manifestação alguma da nossa parte.

Mike McCready e Eddie Vedder deram um show à parte. McCready com sua performance impecável de belos solos e com algumas firulas, como tocar com a guitarra atrás da cabeça, encantou a todos. Vedder, que devia estar completamente bêbado já que não se separava da garrafa de vinho, arrancou aplausos até mesmo quando se enrolava ao tentar falar o nosso idioma e quando errou no início de Soon Forget.

Todos os integrantes da banda estavam visivelmente entusiasmados por tocar para uma platéia que não parou um só momento enquanto havia músicas sendo tocadas. A maioria das quais foi cantada em uníssono pelos fãs, sendo que o Ed deixou-nos cantar boa parte de algumas sozinhos ao direcionar o microfone para a frente como se dissesse "isso! quero ouvir vocês cantarem", e nós, é claro, não o decepcionamos. E ainda houve os coros puxados por ele a que todos seguiam. Nunca mais me esquecerei do "Ô Ôôô Ôôô...", muito menos do "Hey! Ho! Rio!"

Músicas que eu sonhei um dia ouvir ao vivo, com o Pearl Jam tocando-as a poucos metros de mim, estavam finalmente sendo tocadas naquela noite: Do the evolution, Daughter, Even flow, Alive, Dissident, Not for you, Save you, Jeremy, Animal, I believe in miracles, Betterman, Elderly woman Behind a Counter in Small Town, Corduroy, Once, Given to fly, Go, Yellow Ledbetter, Last Kiss, Black; e outras, que, confesso, não sonhava em ouvir ao vivo, mas que também gosto bastante, e, ainda, outras que conheço há pouco tempo ou não conhecia, são elas: Blood, Last exit, Insignificance, Baba O'Riley, Leatherman, Don't gimme no lip, Kick out the jams, Soon forget.

Uma síntese do quão emocionante foi o show acho que está no momento em que Gossard tocou os primeiros acordes de Black, a partir de então a emoção tomou conta de todos. A música foi cantada por todos durante todo o tempo, e acredito que muitos não conseguiram conter as lágrimas, deixando extravazar toda a emoção do momento. Foi durante Black, também, que Vedder demonstrou o quanto ele próprio estava emocionado. Foi durante o solo de MacCready, Ed sentou-se por alguns momentos sobre um amplificador e ficou observando o público, foi incrível.

Bem, é isso. Espero não ter falado tanta besteira assim.

Peace.

Um comentário:

Anônimo disse...

Durante a Black eu tava longe, longe.... muito longe.... ainda mais longe do q na Dissident...
e faltou falar duas palavras do Show: foi perfeito.