13 dezembro 2005

Crônica de terça

O que dizer de uma terça-feira cinza, com imensa pretensão de chuva e nenhuma para coisas incomuns? Eu teria quase certeza de que ia ser um dia normal também. Mas basta um simples passeio para tudo mudar. Um telefonema e tá tudo certo. Pego a mochila velha de sempre, um pouco de dinheiro e vontade, só. Vou pela viação canela até a estação de trem e me encontro com um ser estranho de pinta na cara e com uma camisa do Pink Floyd: meu colega, compartilhador de minha tristezas, idéias, nostalgias e futuro integrante da minha futura banda que já teve no passado vários nomes malucos.

Conversas para distrair um pouco os passos e quando vejo já estamos em frente à loja de música de Ramos. Uma olhada pra sonhar um pouco em ter guitarras e baterias caras, fazer sucesso mundial com a nossa banda, ter dinheiro pra cacete, acordar num motel cheio de put...Praça das nações!! hospital de bonsucesso!! E voltamos à realidade com os gritos da Kombi. Mais alguns metros pelas calçadas esburacadas do subúrbio e já estamos no centro de Bonsucesso. Viramos à direita uma certa hora e encontramos o velho hippie vendendo seus LP´s , CD´s e MP3 como sempre. Damos uma olhada nos clássicos e ficamos com mais certeza de que o Rock é bem mais interessante do que outros sons pelo conteúdo inacabável e intrigante.

Passamos pelas casas casas de alguns amigos pra tentar arranjar um copo d´água ou simplesmente entrar na casa da vítima. Já nos finalmentes do passeio, vamos até a locadora que o meu colega tanto falou, cujo dono gostava de bandas antigas e coisa e tal...Enfim chegamos ao bendito lugar: Um cubículo sem luz, com DVD´s jogados no chão, um calor infernal e um homem atrás do balcão com cara de americano, com olhos vivos. Começa a conversa dele com o meu colega...ah, você não vem aqui há muito tempo...não sei o que...tem filme novo...Aí começa conversa sobre o DVD do the Wall, dos outros shows...e o cara começa a se empolgar e a falar de um monte de banda, de artistas, etc. Com certeza ele já devia ter tomado umas de manhã ou tomado êxtase há algumas horas atrás. O bichinho parecia estar numa rave.

E foi ficando mais engraçado a cada minuto. O sujeito argumentava cada vez mais, ficava andando pela locadora, quase gritando na nossa cara. Então de repente começou a contar a história do show do Pearl Jam. Contou que viu o show pelas câmeras de segurança que o amigo hacker conseguiu acessar pelo computador. Poderiam ver até a câmera do camarim, etc. Porém, a coisa mais engraçada que ele contou foram as duas barras que apareciam no visor do computador durante o show. Uma era azul, e ficava estável quase o tempo todo. Outra vermelha determinava a possibilidade do amigo dele ser pego pela polícia.Se a barra vermelha ficasse cheia, era porque já dava pra ouvir a sirene tocando perto da casa onde eles estavam. Ela não encheu completamente, mas quase enchia algumas vezes, fazendo o bendito suar frio asssitindo ao show.

Situações que fazem a vida ficar mais interessante e divertida. Afinal, os jovens precisam mesmo se divertir, e não passar no vestibular.

"Eu não saco nada de Física
Literatura ou Gramática
Só quero saber de educação sexual"

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