11 maio 2006

Eterno Retorno

O que dizer? Se ao menos me lembrasse da idéia genial, da letra da música que estou ouvindo, da poesia de Drummond, do sorriso do bebê... Mas não. Tudo isso some em minha mente como se nunca tivesse passado perto de um dos meus sentidos, e há outras coisas das quais não me lembro agora. O que serão? Terei mesmo as visto, tocado, meu ouvido ouvido, minha língua experimentado o sabor doce ou amargo, terá o cheiro adentrado minhas narinas?

A proporcionalidade inversa da existência me tomou tudo. Quanto mais (ou menos...) vivo, menos me lembro.

Minha sombra maior que minha alma me torna hoje espectro do que era quando andar ainda não sabia.

Quem me dera uma última vez me fosse dado o dom de acreditar. Sairia, então, às ruas e mudaria tudo. É antigo e clichê, eu sei, mas quem nunca sonhou, ou mesmo pensou num dia nisso? E por que não acreditar uma vez mais?

Não entendo como isso tudo funciona: amor, impostos, ódio, guerras, preconceito, contra-cheque no fim do mês, o gosto pelos solos de guitarra, a fatura do cartão de crédito. Sei que me foi dado viver, ou ver isso tudo, mas não me disseram como.


"Vocês vão fazer alguma coisa pra consertar as suas próprias vidas? Eu cheguei a seguinte conclusão: não adianta consertar o resto, tem que consertar a gente, ajuda pra caramba."

2 comentários:

Anônimo disse...

ajuda não, faz todo o serviço.... mude-se e o mundo mudará com você - a melhor maneira de mudar algo à sua volta, é mudando a si mesmo. falo por experiência própria.

Leo disse...

Ah, uma coisa que eu esqueci de dizer no post, a parte entre aspas é do Renato Russo, alguns podem não saber....