Família Ramsés
Antes de eu chegar ao Ramsés tive uma longa jornada pessoal. Nasci em Brás de Pina, um lugar que não me dá tanto orgulho assim de ter nascido. Morei por vários anos numa pequena vila que ninguém percebe que existe quando passa ao lado dela no meio da Filomena Nunes. Junto com a minha vó, que ficava na casa ao lado. Resumindo, era uma vila com duas casas, por mais estranho que pareça. Bem perto do prédio onde ficam todos os meus tios e tias, vivi bons tempos ali, com uma infância relativamente feliz para um garoto de subúrbio.
Depois fui morar num apê que no passado fora do meu avô , na Vila da Penha. Rua deserta, nenhum amigo, poucos vizinhos, nada de empolgante por lá. Excluindo a escola e os cursos, foram anos praticamente perdidos da minha vida naquele buraco. Voltei para Olaria. Morar numa casa duplex. Filomena Nunes, novamente. Lugar bom, amplo, quintal com 13 gatos, amigo morando ao lado. Mas bastou um erro médico provocar a morte da minha vó pra casa virar um símbolo de recordações funestas pra minha mãe. E fui de mala e cuia pro Ramsés, finalmente.
Entrei como estranho no ninho nesse lugar de apartamentos pequenos e porteiros alegres. Com playground que eu não dava bola no início, mas que no futuro seria o nosso verdadeiro templo. Vieram as amizades com o tempo e que se mantêm até hoje. Veio a paixão pelo Rock, pela música. Começei a gostar dos livros, etc. As vezes acho que o tempo passou muito rápido por aqui, parece que não cheguei há tanto tempo assim. Ainda tem muitas coisas pra falar desse prédio com nome estranho: As figuras amrcantes (Moisés, Maciel, etc.), os fatos marcantes e tudo mais que for marcante.
Acho que no fim o que vale mesmo é a amizade...vou parar por aqui porque já to com lágrimas nos olhos.


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