Eu sou eu e o senhor?
Conto Um
Capítulo Dois___A morte
A noite se aproximava, as pessoas andavam pela calçada, os carros andavam pela rua. Era hora de voltar do trabalho, engarrafamento na rua principal era comum nessa hora. Estava lá o menino Júlio voltando da sua aula trazido por um impulso de que algo de ruim estava para acontecer. Ele sabia o que estava para acontecer, só não imaginava que iria resultar em morte.
É, a morte... A morte adora pregar peças nas pessoas de bem, que tem boa saúde, que são felizes com a vida que tem. A morte pode te pegar na hora que você nem espera, em momentos em que a felicidade toma conta de você. Uma vez, eu presenciei uma família inteira acabar depois dessa família ter comemorado o casamento de uma das filhas. Eu estava lá, não em corpo, mas em mente. Tinha saído de lá passando mal, e depois, um pouco mais tarde quando já estava em casa, vi tudo passando em flash pela minha cabeça. Foi uma desgraça, a casa pegou fogo, poucos escaparam. Eu vi quem foi, foi ela, só não podia acreditar que tinha sido ela.
Vou seguir com a história. O pai de Júlio estava chegando do trabalho, ele tinha uma surpresa pra mulher e pro filho. Estacionou o carro na rua, já que ele ia levar os dois pra jantar fora e entrou em casa dizendo:
- Vamos jantar fora! Fui promovido.
Essas não foram suas últimas palavras. A morte já tinha mudado de idéia. Uma bala perdida entrava pela janela. Foi uma cena rápida. Nem deu tempo de ver a janela se quebrar. A bala em poucos décimos de segundos chegava em seu destino final. Era a mãe. Não havia nada a fazer, chamar médico, bombeiros, polícia. Ela já caía morta no chão. Foi um tiro certeiro no coração. Júlio agora entendia o sonho. Agora fazia sentido. A morte não mudou seus planos, ela queria desde o começo a mãe dele. Ele não soube interpretar. Os dois choravam em cima do corpo de Cléo.
Foi uma dura perda para os dois. Passavam-se dias para amenizar a dor da perda. Júlio se culpava muito pela morte da mãe. O pai não tinha forças para trabalhar, estava de licença. Três semanas se passaram para tudo ficar mais tranquilo. Júlio voltou à escola e seu pai voltou ao trabalho.


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